À conversa com...



  1. É uma grande responsabilidade gerir o funcionamento do Lar porque sentimo-nos responsáveis pela vida dos utentes. É muito estimulante diariamente garantir o bem-estar e promover as condições que contribuem para uma vida com qualidade destas pessoas para as quais o Lar é a sua casa!

Mariana DuarteCoordenadora



O QUE É PARA SI SER DIRETORA DO LAR RESIDENCIAL?

É um desafio constante! É uma grande responsabilidade gerir o funcionamento do Lar porque sentimo-nos responsáveis pela vida dos utentes, é muito estimulante diariamente garantir o bem-estar e promover as condições que contribuem para uma vida com qualidade destas pessoas, para as quais o Lar é a sua casa. É muito fácil criar uma relação de empatia com este tipo de população, sinto-me acarinhada, mas acima de tudo realizada quando vejo que estão bem.

Quais os requisitos para ingressar no Lar?

Os requisitos necessários à admissão são os seguintes: Frequentar uma das respostas sociais da Instituição; pais falecidos ou incapazes, comprovadamente, de se responsabilizarem pelos filhos; ausência ou impossibilidade da família em assegurar o seu acolhimento; risco de isolamento social e/ou em situação de emergência social; não ser portador de doença infectocontagiosa; não ser detentor de doença grave do foro psiquiátrico, que coloque em risco o funcionamento geral do Lar e o bem-estar dos residentes; não se encontrar em situação de acamamento; possíveis clientes com problemas de delinquência comprovada pelos organismos legais, mesmo quando portadores de deficiência mental, a fim de garantir o mínimo de estabilidade de funcionamento da valência

Que tipo de apoios/serviços é que os utentes podem esperar?

O Lar Residencial assegura a prestação dos seguintes serviços: Alojamento; alimentação, Cuidados de Higiene e Saúde; promoção de atividades de lúdicas e recreativas; serviços de enfermagem/administração terapêutica; tratamento de roupas; acompanhamento e transporte dos clientes a consultas médicas.

Como caracteriza o Lar sendo uma das muitas respostas sociais que a instituição oferece?

Como a própria missão da valência diz, o Lar Residencial é uma resposta social que presta serviços de caráter permanente no âmbito do internamento. Destina-se a pessoas com deficiências ou incapacidade, que se encontrem impedidas temporária ou definitivamente de residir num contexto familiar. Assegura um funcionamento adequado às necessidades específicas de cada cliente, garantindo uma intervenção personalizada. Proporciona cuidados em termos de higiene, alimentação, conforto, saúde e atividades recreativas tendo como objetivo principal promover e disponibilizar as condições que contribuam para uma vida com qualidade e para a plena integração dos seus clientes.

Como vê o futuro, na sua opinião, dos lares residenciais em instituições de apoio a pessoas com deficiência?

Penso que o futuro será risonho se forem disponibilizados mais apoios financeiros de forma a melhorar as condições dos já existentes, como na realização de novas estruturas.

O que define verdadeiramente um lar residencial?

O Lar Residencial é definido pelos utentes que nele vivem, mas também pelas pessoas que cuidam deles e que fazem com que seja uma casa, um lar para todos, cuidando dos mesmos, como se fossem da sua família.

Um dos muitos objetivos de um lar residencial é proporcionar alojamento às pessoas com deficiência que não disponham de familiares que os possam acolher. Como vê o futuro destes jovens, sabendo que os pais e familiares cada vez são mais idosos e a lista de espera aumenta a cada dia que passa?

Não é agradável pensar nesta resposta. Não será com certeza um futuro positivo, na medida em que de facto não existem respostas sociais suficientes que possam acolher estes jovens. Existem casos em que estes jovens vivem em casas de familiares que não têm condições, nem físicas nem psíquicas, para cuidar deles ou muitas vezes são colocados em respostas que não têm os requisitos necessários às necessidades deste tipo de população. Outro dos problemas, é a inexistência de subsídios que apoiem a família alargada, impedindo que estes jovens permaneçam no seio familiar e tenham de recorrer aos lares residenciais, ficando em lista de espera. Infelizmente não conseguimos acolher/admitir todas as pessoas que desejaríamos, que como é do conhecimento geral, não existe disponibilidade financeira nem condições físicas, que suportem todas estas necessidades.

O nosso lar foi inaugurado em dezembro de 2001. Muitos anos passaram desde então. Na sua ainda pequena experiencia como diretora, qual o modelo ideal, na sua opinião, que poderíamos adotar?

Penso que não existem fórmulas mágicas e o ideal será sempre adaptarmo-nos às necessidades que temos com empenho e dedicação no entanto existem sempre pontos que podemos melhorar como a otimização dos recursos disponíveis, motivação dos recursos humanos e acima de tudo garantir o bem-estar dos utentes que é o nosso principal objetivo.